A pesquisa de enfisema se restringe à proteína FCHSD1

Uma lufada de ar fresco para a pesquisa do enfisema

A doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) causa doença e morte em todo o mundo. É caracterizada pela destruição das paredes de pequenos sacos de ar nos pulmões - conhecido como enfisema - e um declínio na função pulmonar. Pouco se sabe sobre os mecanismos pelos quais ele começa a se desenvolver. Mas agora, pesquisadores do Japão encontraram uma proteína que promove o desenvolvimento dos estágios iniciais do enfisema, com potencial para ser um alvo terapêutico.

A DPOC pode ser desencadeada por fatores ambientais, como o tabagismo, que resulta em inflamação pulmonar. O desenvolvimento da inflamação envolve o movimento de moléculas dentro das células, e sabe-se que esse 'tráfego intracelular' está associado a algumas doenças. A equipe procurou por proteínas relacionadas à DPOC que estão envolvidas no tráfico e identificou uma proteína chamada FCHSD1, que está associada a algumas doenças, mas sem nenhum papel conhecido na função pulmonar.

É possível criar um modelo de enfisema em camundongos tratando camundongos com uma enzima chamada elastase. A equipe desenvolveu uma linha de camundongos que não continha a proteína FCHSD1 e estudou as respostas desses camundongos em comparação com camundongos normais quando o enfisema foi induzido. Camundongos normais mostraram um grande aumento em FCHSD1 após o tratamento, enquanto camundongos sem FCHSD1 foram protegidos do desenvolvimento de enfisema. Esses camundongos mostraram menos expansão do espaço aéreo devido aos danos aos sacos de ar nos pulmões e tiveram menos inflamação e morte celular (apoptose).

Os pesquisadores investigaram o mecanismo molecular pelo qual o FCHSD1 atua. Uma proteína chamada NRF2 se move para o núcleo em resposta ao estresse e age como defesa contra ele. No entanto, o FCHSD1 se liga ao NRF2 e impede que ele se mova para o núcleo. “Os camundongos com deficiência de FCHSD1 mostraram maior translocação nuclear de NRF2 e uma redução menor nos níveis de SIRT1, que ocorre à medida que o enfisema se desenvolve”, explica o autor principal Takahiro Kawasaki, “e isso reduziu a inflamação e a apoptose das células pulmonares”.

Uma terapia potencial para a DPOC poderia ser, portanto, o aumento da atividade do NRF2 para neutralizar o FCHSD1. Existem tratamentos atualmente disponíveis que têm como alvo o NRF2 e pode ser que a inibição do FCHSD1 ao mesmo tempo que o do NRF2 possa tornar esses tratamentos mais eficazes e prevenir complicações sistêmicas. “Nossas descobertas também podem levar a uma estratégia terapêutica específica para melhorar, ou mesmo interromper, a progressão do enfisema pela inibição do FCHSD1”, diz Takashi Satoh, autor sênior do artigo.

A DPOC é uma doença altamente significativa. A descoberta desse mecanismo pelo qual o FCHSD1 atua para promover o desenvolvimento do enfisema pode levar a novos tratamentos para muitas pessoas.

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